COMDIM divulga nota de solidariedade a Maria de Lurdes Santos

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Diante de mais um caso terrível de violência doméstica contra uma mulher em Jataí, no qual, quinta-feira (27), a jovem mãe Maria de Lurdes Santos foi covardemente espancada, tendo como principal suspeito o seu próprio companheiro Clécio Souza de Almeida, o qual já tinha em aberto um mandado de prisão em seu desfavor em razão da denúncia de violência doméstica praticada contra outra mulher, o Conselho Municipal dos Direitos da Mulher (Comdim) vem a público se solidarizar com a vítima, que se encontra em estado grave no Hospital Padre Tiago na Providência de Deus, e repudiar esse ato desumano contra mais uma companheira.

Goiás hoje ocupa a vexatória posição de segundo Estado brasileiro onde mais se pratica violência contra mulher (Atlas da Violência – Ipea), isso diz muito sobre a necessidade de reflexão entre os homens que estão ao nosso redor, em nosso dia a dia, no convívio diário em nossos locais de trabalho, nossos lares, nossa sociedade. Também diz muito sobre a necessidade de nós, mulheres, agirmos na prática para mudar essa realidade perversa que se impõe contra cada uma de nós. Aqui, parabenizamos as mulheres do Hospital Padre Tiago, as quais, corajosamente, acolheram Maria de Lurdes e denunciaram à polícia o ato covarde do seu agressor.

Precisamos, urgentemente, entender que não se trata de uma “guerra” das mulheres contra os homens, mas de mulheres contra criminosos, que rebaixam os homens à condição humana mais vil e desprezível que se pode chegar. Portanto, essa luta também é dos homens!

O caso de Maria de Lurdes é emblemático porque acontece às vésperas do mês de março, o Mês da Mulher; quando dia 8 marca o Dia Internacional da Mulher. É o mês também que realizamos, há quatro anos, a “Semana de Enfrentamento da Violência Contra a Mulher”. Em 2020, o tema é “Liberte-se! Você não está sozinha”, o qual visa encorajar todas as mulheres que estão sob qualquer tipo de violência a se libertarem de seus algozes e buscarem acolhimento e proteção.

Embora saibamos que a violência contra a mulher não escolhe classe social, nem cor, nem religião, nem grau de escolaridade, nessa edição, iremos propor a autonomia da mulher por meio do empreendedorismo, para dar opção àquelas que, como Maria de Lurdes, vêem no agressor a única opção de sobrevivência material.

Queremos também que cada mulher e cada homem participem do evento, assumindo para si a responsabilidade de contribuir para fortalecer a rede de acolhimento e proteção a mulheres vítimas de violência, a qual, sabemos que ainda é muito deficiente e necessita de, colaborativamente, ser melhorada. Não é suficiente nos indignarmos apenas com as manchetes dos jornais e das redes sociais. A vida real acontece para além das nossas telas. É necessário ação. E temos plena convicção de que nossa ação nos torna mais fortes, mais humanas (os) e mais mulheres ou mais homens.

Sabemos que, infelizmente, nesse exato momento, há mulheres sofrendo violência caladas e desamparadas em algum lugar do nosso município. A você pedimos coragem para se libertar. Procure-nos. Você não está sozinha.

Nós queremos você do nosso lado, para se proteger, para nos proteger e para que sejamos todas Maria de Lurdes livres de toda violência.

Ninguém solta a mão de ninguém.

Layla Milena Oliveira Gomes

Presidente do Conselho Municipal dos Direitos da Mulher